"Olhem pra mim, eu sofro."
Essa coisa agora de todo lugar ficar ressaltando que homem simplesmente vive a vida dele, as cobranças, a falta de reconhecimento, decepções e tudo o mais de forma interna tem me incomodado. Não porque é mentira, pelo contrário, é a mais pura verdade.
Não consigo imaginar as vezes que falei que estava tudo bem para meus amigos quando o que eu só queria era dormir até tudo passar, que brincava, ria e fazia os outros rirem no trabalho enquanto meu coração estava preso em outro lugar, quanto eu me forçava sair porque saberia que apenas olhar para o teto não mudaria nada.
Não sou especial por isso, tenho certeza que todos os homens com quem convivo, amigos, conhecidos, colegas de trabalho passam por isso, ou coisa pior, todo os dias. Rimos, brincamos, buscamos alívio na medida do possível e o importante internalizamos.
Mas agora parece que isso virou bandeira de um pseudoestoicismo: "olhe pra ele, como ele sorri, mas sofre em silêncio". Coisa de homem fraco.
Sempre foi assim, desde que a humanidade é civilizada. Não quero que olhem pra mim e tentem ver o que me angustia, quero que continuem achando que está tudo bem e não tenho problemas.
Meus problemas eu resolvo. Ninguém mais. Se souber de alguém que pode ajudar, peço ajuda. Expor minha vida para mendigar empatia, para entreter quem é fofoqueiro e gosta de ver sofrimento alheio? Não, obrigado.



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