fevereiro 13, 2017

Antes tarde...

Nunca fui fã daquela coisa de "há males que vêm para bem", mas às vezes acontece.
Sempre fui relapso às escolhas importantes sobre minha vida, sempre optei pelo caminho mais fácil, mesmo quando era aquele que não me levava onde queria. Não falo isso com arrependimento, apenas com resignação. Mesmo deixando "o Destino" escolher por mim, posso dizer que cheguei mais longe que imaginei chegar e estou confortavelmente bem na vida.
O problema é que agora o tal do Destino resolveu cobrar pelas escolhas que não fiz, me obrigando a não adiar mais controlar as mudanças na minha vida.
Anos atrás tive um ganho financeiro e profissional que me deixou bem, me deixou feliz e com um sentimento de realização profissional que nunca havia experimentado, mesmo sendo considerado um profissional melhor que eu faço por merecer. O problema é que essa situação se reverteu, somado a isso políticas dentro do meu ramo que além de eu não concordar por achar que não vai dar certo, por ser contra o que eu sempre defendi em termos de Educação, ainda vai complicar muito minha vida. Vou ter que diminuir ainda mais o nível do meu trabalho e, mesmo trabalhando menos, levando "nas coxas", é algo que me deixa frustrado como profissional. Gosto, apesar de tudo, que o meu trabalho seja o melhor que eu posso fazer, o melhor que as condições me permitem fazer. E, ao analisar essas mudanças, me desanimou muito em relação ao que eu estou fazendo.
Ao mesmo tempo, em uma conversa surgiu uma ideia. Ou ressurgiu. Algo que eu sempre recomendei aos outros fazer e eu mesmo não fazia por estar na pior das acomodações. Agora estou ansioso para começar a andar em outra direção, mudar tudo completamente, começar do zero se preciso for.
Demorei muito tempo para fazer isso, me agarrando a coisas efêmeras, passageiras, mascarando insatisfação com reconhecimento. Chega.
O Destino está cobrando as decisões que tomou por mim da maneira que ele sabe cobrar, me obrigando direcionar a vida eu mesmo, a escolher a direção que eu quero mudar ou apenas me manter parado num falso conforto e ficando cada vez mais insatisfeito.
Desafio aceito, plano elaborado, agora é só colocar em prática.

agosto 09, 2016

Apesar das Dificuldades

Só no Brasil as pessoas ainda se impressionam com alguém vindo das classes mais baixas chegar a um pódio Olímpico, chegar ao estrelato em um esporte. Tirando o futebol, os atletas bem sucedidos no futebol, que são muito poucos em relação ao numero de profissionais, a enorme maioria dos atletas que se destacam em outros esportas, muitas vezes, tem uma melhora muito baixa na vida.
Isso diz mais sobre o Brasil que sobre o Esporte ou esses esportistas.
Em qualquer país civilizado há programas já na base da Educação que incentiva a prática de esportes para o desenvolvimento físico, mental e social da criança, depois adolescente para chegar a um adulto saudável nesses três eixos. Aqui não. Aqui a criança que gosta de esportes e se destaca neles, via de regra, tem que decidir entre a educação acadêmica e a esportiva e, por falta de perspectivas e oportunidades, opta por esse último, que é uma opção de alto risco.
Uma vez abandonado o estudo para se dedicar à prática esportiva, é um tempo perdido que não é mais recuperado, não dando certo, esse cidadão está há anos atrás de outros da sua geração.
Na maioria dos países, os civilizados, os campeões, o esporte é praticado junto e para, através de bolsas atléticas, levar a pessoa mais longe nos estudos, aqui separa dos estudos.
Por isso ao ver um campeão vindo da pobreza, saiba que ele está lá apesar da pobreza, apesar da dificuldade, não por causa dela, o que torna seu feito muito mais impressionante.
Enquanto as políticas públicas antagonizarem Educação Acadêmica com Esportiva seremos lanterninhas nas duas competições.

agosto 05, 2016

Olimpíadas da Vergonha Alheia

Sempre fui contra o Brasil sediar os Jogos Olímpicos, mesmo sendo um dos únicos que foram contra a euforia à época do anúncio do Rio como Cidade Sede e, por isso, me sinto bem a vontade para criticar esses jogos.
Mas como tudo na vida, menos CD de pagofunk, tem um lado bom: agora o Rio de Janeiro vai ser mostrado em sua totalidade, não só aquela camada litorânea/Lapa maquiada para turista, as vias expressas BRT e a Supervia cortarão favelas, sem maquiagens, com vista total da realidade para turista. Início dos jogos com a Cidade suja, violenta, em crise (o país todo está), obras inacabadas ou acabadas na maquiagem, no jeitinho. Isso pode dar um choque de realidade na nossa imagem e a gente começar a buscar o glamour perdido. O primeiro passo não é reconhecer o problema?
Mas hoje tudo é festa, é a abertura. Se a cerimônia já é brega quando é só festa e apresentação do país, tenho medo da cafonice que vai ser a nossa com toda uma "mensagem politizada" permeando as coreografias. Se na Copa que não teve nada disso já foi o que foi...
Mas tem todo aquele complexo "intelectual Tupiniquin" que nada pode ser apenas divertido que é alienante, toda forma de "arte" tem que fazer pensar, refletir. Sério. Em 2016 isso e os intelectuais da arte não verem que isso é feio, tosco?
É só comparar o cinema engajado dos anos 80 e o sucesso dos filmes dos Trapalhões na mesma época. Diversão é diversão, pode ter mensagem?, pode, mas não é algo que tenha que ser obrigatório ou maçante.
Colocaram um "cineasta" (todos os países têm diretores de cinema, no Brasil temos cineastas, a industria do cinema ta aí para mostrar os resultados) engajado em conseguir verbas públicas para fracassos comerciais (fez trocentos filmes, estourou com dois) para bolar a cerimônia. Aposto que vai ser vergonhosa.
A Olimpíada é no Rio, com abertura no Maracanã. Nada me tira na cabeça que a abertura seria muito mais legal se fosse organizadas por uma comissão de carnavalescos responsáveis pelos desfiles da Escolas de Samba. Seria muito mais espontâneo, muito mais Brasil, muito mias povão!
Escrevo isso uma hora antes do início da cafonice e, sinceramente, espero estar errado.
Fora isso, divirta-se vendo os jogos, ou vá ao cinema se não gosta de esportes. Os problemas que estavam aí até julho vão estar te esperando em setembro, não se preocupe, quando os Jogos acabarem, você vai poder a se indignar e fazer exatamente a mesma coisa para melhorar que está fazendo agora.

maio 10, 2016

Limite.

Estou no meu limite há muito tempo. Tentando resolver um problema antes de surgirem mais outros dois, problema dos outros e postergando resolver os meus, a cuidar de mim.
Tenho um sinal atrás do outro que a coisa não está bem, mas tenho que seguir, preciso, não tem outro. Não tenho como pausar, não tenho como adiar algumas coisas para olhar para meus problemas que se acumulam, que pioram. Não falo para ninguém, não deixo, não quero que ninguém se preocupe. Estou ficando bom em fingir, às vezes até eu acredito, me forço a acreditar pelo maior tempo possível, até algo me trazer de volta à realidade.
Hoje, surpreendentemente, uma pessoa que me conhece pouco e há pouco tempo me falou que eu passo a impressão de paz, de que resolvo problemas. Vai ser mais um que vai querer que eu resolva, que aconselhe, que me estresse sobre o problema dos outros. Achei engraçado, como sempre acho, pessoas achando o máximo a solução que eu acho mais lógica, prática e óbvia para uma coisa. Deve ser por isso, o fato descomplicante.
Por outro lado, tive um sinal inequívoco que algo que já sabia que não ia bem, está mal, está a ponto de ruptura, e não há nada que eu possa fazer.
Sempre critiquei gente que prefere a ignorância a enfrentar e resolver as coisas, estou fazendo exatamente a mesma coisa. Já que não posso parar para resolver, melhor nem sem saber a extensão do dano, para me preocupar menos.
Ajuda a fingir felicidade e paz, como vocês me enxergam.

abril 16, 2016

Nada para ninguém comemorar domingo.

Amanhã, domingo, haverá a tão aguardada votação pela continuidade ou não do processo de Impeachment da presidente Dilma Rousseff. Independente do lado que você apoie, independente do resultado amanhã, não há nada a ser comemorado.
Não a nada a comemorar porque é impossível não sentir vergonha de um Governo atolado até o nariz em irregularidades que lavaram a esse processo.
Não a nada a comemorar porque é vergonhoso a compra de deputados usando cargos em Estatais, Autarquias e Ministérios.
Não a nada a comemorar porque tem muitos deputados votando de acordo com interesses nesses cargos, não baseados na sua ideologia ou opinião sobre o processo. E foi essa ideologia que os levaram a conseguir votos para o cargo de deputado, teoricamente.
Não a nada a comemorar porque, se aprovado, o processo será enviado ao Senado e a presidente afastada por até seis meses até a votação final. Mais seis meses de incerteza.
Não a nada a comemorar porque se recusado, continuaremos com uma presidente sem poder efetivo, com pouca representatividade na câmara e, para fazer qualquer coisa, precisará comprar deputados com dinheiro público. Uma vergonha para compradores e comprados.
Não a nada a comemorar porque foi esse governo que nos levou a essa situação. 2016 nos faz ter saudades de 2015. 2017 nos fará ter saudades de 2016.
Não a nada a comemorar porque caso entre um governo novo, a princípio terá apenas seis meses para fazer alguma coisa, enfrentando a sombra da falta de legitimidade e um Estado completamente aparelhado, inchado e com excesso de burocratas indicados a altos cargos por interesses apenas políticos, e não técnicos.
Não a nada a comemorar porque caso o processo seja arquivado, outros surgirão e o País ficará nessa inércia até 2018.
Não a nada a comemorar porque caso o processo passe, os militantes, movidos mais pela emoção que pela razão, farão de tudo para que o Governo novo não trabalhe, inclusive contra os interesses do País.
Não a nada a comemorar porque essa presidente eleita não governa mais, ou afastada por causa de crimes fiscais cometidos ou, pior, afastada por um aliado que já está, "de facto", governando sem legitimidade alguma, na qualidade de Ministro com posse suspensa e investigado por esquemas, no plural, de todo tipo de corrupção que pode ser tipificado.
Não a nada a comemorar porque segunda-feira, e por muitas segundas-feiras ainda, viveremos normalmente no meio de uma crise política, econômica e de valores, em todos os níveis, sem perspectiva de melhoras.
Não a nada a comemorar porque segunda feira vamos trabalhar com a mesma desesperança, porque nada mudará de forma rápida. E se mudar, é pouco provável que seja para melhor.
Seja qual for o resultado amanhã, não há um único motivo para comemoração, visto que o Brasil continuará sendo resgado em um cabo de guerra pelo poder, no meio de um túnel onde não dá para ver a luz em seu final.

abril 06, 2016

Pedalando e Andando.

Deixou de funcionar mais ou menos assim: Nos últimos 15 anos o país teve um crescimento de consumo, sem crescimento de produção, anabolizado artificialmente por uma política de crédito fácil e renúncia fiscal. Uma bolha. Quando as pessoas viram que as prestações estavam estrangulando o orçamento mensal (vulgo salário) pararam de consumir.
Enquanto havia consumo, mesmo com a renúncia fiscal (quantas reduções de IPI passamos?) havia arrecadação e dinheiro para manter os programas sociais que o atual Governo usa como propaganda. Volto a isso. Quando o consumo começou a cair a arrecadação desabou junto. 
Mas era ano de eleição.
Voltando aos programas Sociais, o Governo atual os usa como principal carro chefe do que ele fez, ou deixou de fazer. Ao meu ver, um país que aumenta o número de pessoas que precisam de programas sociais não está num rumo bom, mas... é questão de opinião. Retomando o pensamento, em ano de eleição, os programas sociais deveriam parecer sólidos, ou a única bandeira do governo iria por água abaixo.
Com a corrupção generalizada má administração do atual Governo, que levou o país a uma recessão e consequente diminuição de arrecadação (repito porque é importante) o Governo usa o dinheiro dos bancos públicos, como uma espécie de cheque especial, para manter sua propaganda. Isso é proibido por lei. E nem paga juros aos bancos.

A Lei diz que caso haja necessidade de captação de recursos por empréstimos, em bancos privados, pagando os juros de mercado.
Mas o pior foi maquiar os balanços anuais para que o rombo nas contas públicas parecessem normais. E isso, em qualquer parte do mundo civilizado, é ilegal.
Se uma empresa adultera os Livros Caixa para que passivos sejam vistos como ativos, ela é penalizada e seus contadores e diretores presos. Se é um Governo, os responsáveis têm que ser destituídos. Simples assim. Não é político, é jurídico. É ético.
Mas, lembremos, estamos no Brasil.
E foi assim que as coisas deram errado.

fevereiro 13, 2016

De volta ao equilíbrio

Me surpreendo hoje, e é uma surpresa até feliz, ver adolescentes se identificando e defendendo os ideais defendidos pela ala mais liberal da direita, a saber: Estado menor, punição mais severa para criminosos, melhoria na qualidade de vida pela melhora real da Educação pública e pelo aumento de oportunidades em contraponto ao sistema de cotas.
(Um parênteses: me assusto com gente muito nova idolatrando oportunistas radicais como Bolsonaro, por exemplo.)
Continuando.
Durante anos os jovens o eram alheios, alienados de verdade, ou eram de "Esquerda", muitas vezes iludidos pelo paraíso pintado por professores sem ética que davam suas opiniões como se fossem verdades científicas* e pintavam o Socialismo como solução desde a desigualdade social até espinhas na adolescência. Enfim. Com o aumento da informação e o descolamento do Conservadorismo do período de Governo Militar essa hegemonia tende a cair, o que é bom. É sempre bom ter equilíbrio e contraponto de opiniões, é a única maneira dos lados tentarem melhorar, o que todos ganham.
Ah... mas a teoria de Mercado já fala disso há tempos..
Enfim, seguimos.
É um processo lento, esses jovens ainda vão demorar a ter voz relevante e conhecimento suficiente para defender o que pensam. Mas a indignação com a corrupção como forma de Plano de Governo, a intolerância com a incompetência do Estado, a busca pelo melhor caminho já passou da fase de semente, já estão quase florescendo e isso é bom para a sociedade como um todo.
Acredito que em uma ou duas gerações, no máximo, termos como "neoliberalismo" e "privataria" sejam visto apenas como piadas. Fico só triste porque quando chegar nesse ponto, se chegar, eu vou estar velho e vou usufruir pouco. Mas pelo menos posso ver hoje uma chance de uma mudança, difícil, para melhor.

*Obs.: Sim, quando me perguntam não fujo e opino sobre qualquer assunto e explico o porquê daquela opinião. A diferença dos doutrinadores é que eu deixo claro que é uma opinião, não uma verdade, e aconselho a procurarem ouvir quem pensa o oposto, para que eles tenham a opinião deles vendo todos os lados quanto possíveis.

setembro 29, 2015

Água em Marte e a arrogância humana.

Hoje é um dia histórico para a ciência e fãs de SciFi. Pela primeira vez na História a maior agência de pesquisas espaciais admitiu a existência de água líquida e corrente no nosso vizinho mais próximo, Marte. Isso significa que pode haver ou ter havido vida em marte. Vida microbiana, não homenzinhos verdes, quero deixar claro.
É importante e igualmente arrogante essa comparação.
Durante muitos anos a pesquisa sobre outros planetas foi motivo de piada nos meios acadêmicos. Está provado que há possibilidade de um número incontável de planetas, muitos deles parecidos com a terra. A possibilidade da panspermia que hoje ganha força, já foi chacota. Vida inteligente, saiu dos livros e é estatisticamente possível, e não estou falando do History Channel e seus Alienígenas do Passado.
A arrogância, mencionada no título vem do fato que a procura de vida está intrinsecamente ligada à procura de água. Quimicamente, em temperatura adequada, há vários líquidos com propriedades próximas a da água, que teriam a mesma função. Na Terra mesmo já conhecemos bactérias que metabolizam enxofre em lugar de oxigênio. Mas, mesmo assim, procuramos vida baseada na nossa, nas condições únicas do nosso planeta.
Quantos planetas com as condições de Vênus, ou Saturno, ou Netuno com metano, que é orgânico, líquido existem? Todos eles foram ignorados. E se há algum tipo de vida lá, não estamos interessados porque não se parecem com a nossa.
Mas não.. vida só se for em meio aquoso ou carbono. Sei que uma busca dessa magnitude precisa de certos parâmetros, mas parâmetros demais excluem possibilidades incontáveis. Isso deveria ser inaceitável pra a Ciência.

junho 12, 2015

Ecoando a censura.

"Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel" _Umberto Eco.
Não vou entrar no mérito de discutir quem ele é ou atacar suas obras, que são brilhantes, mas essa declaração... e, o pior, um monte desses imbecis que hoje têm voz estão ecoando suas palavras como se não fosse eles os imbecis.
Essa frase desse "intelequitual" é perigosa, apoiá-la mais ainda , é apontar uma arma carregada para têmpora. Eu não entendo como um escritor, que acaba de ser laureado por conta de comunicação (vejam só) e cultura (vejam vocês) defende censura.
Sim, censura.
A "legião de imbecis" que hoje têm voz na Internet somos nós. Nós que temos opiniões fortes e, muitas vezes, não aprovadas pela "coletividade". São as pessoas que pensam individualmente, que tentam acertar e errar, que não têm, não querem ter, e não aceitam a receita para um mundo feliz e perfeito. Antes da Internet, só "intlequituais" eram ouvidos, todas as opiniões relevantes eram iguais e as vozes dissonantes eram ouvidas apenas em "bares após um ou duas taças de vinho" (repare como ele diz que quem pensa diferente é um bêbado e, portanto, não deve ser ouvido/levado a sério).
O problema para Eco, e para essas pessoas que julgavam ter o monopólio da Lanterna que Guia o Mundo, o desespero deles, é que esse bêbados de bar hoje tem Twitters, Blogs, Grupos e Fóruns de Discussões onde suas ideias são ouvidas, onde pessoas que não pensam segundo a cartilha se encontram, se organizam em torno de ideias que têm em comum. Para uma pessoa que têm alergia a ideias dissonantes, sim, são um bando de imbecis que ousam ter voz tão alta quando te premiados com o Nobel. 
Observação: Não vi nenhum cientista reclamando do acesso do cidadão Homer Simpson (Copyright Willian Bonner) à informação e ao direito a voz, só vencedores de Nobel menores, subjetivos, tipo um Prêmio Jabuti internacional. Ganhadores de Nobel que na prática nada acresceram para a humanidade reclamam, como Umberto Eco reclama.
Nós, os imbecis, que hoje somos ouvidos, ainda que imbecis, temos o direito de falar, de sermos ouvidos e de sermos seguidos por outros imbecis. Já se foi o tempo que "a mas um intelequitual disse que..." era um argumento incontestável, hoje há acesso em tempo real a fatos para ser usados como base para opiniões.
E, senhor Humberto Eco, com fatos, mesmo os imbecis têm razão.

Em tempo, chamo a atenção para o termo "direito à palavra". O voto pode ser universal, mas para ele, a Palavra é só para alguns.

junho 07, 2015

Sobre o Ensino Superior e o Futuro.

"O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, sim, e o ensino universitário brasileiro tem pouco, ou quase nada, a ver com isso."
_AZEVEDO, Reinaldo.
Começo citando um pensamento forte, do colunista político Reinaldo Azevedo. Um pensamento contundente, daqueles que parecem um tapa na cara. Como formado por uma universidade federal meu primeiro pensamento é ir contra ele, dizer que é bobagem. Analisando a situação atual, onde praticamente toda tecnologia industrial brasileira é importada, vejo que é verdade.
Como professor, e submetido às políticas educacionais que há anos visam apenas números de formandos no Ensino Básico em troca da qualidade de ensino dada a esses formandos, mas aí lembro que as Universidades, principalmente as Federais são menos obedientes às políticas públicas de educação, têm autonomia para colocar seu currículo da forma que quiser, direcionar o foco do curso para onde quiser.
Cursos tecnológicos e de exatas sempre tiveram altas taxas de evasão, eles separam os homens dos meninos, para evitar essa evasão que pegava mal nas estatísticas, diminuíram, vejam só, a cobrança nos cursos, a qualidade dos mesmos. O que temos são graduados que beiram o analfabetismo funcional e que já estão sendo rejeitados pelo mercado.
Nesse caso, no ensino superior, dada sua particularidade e autonomia, a culpa recaí diretamente sobre seus reitores e professores, eles que escolhem em lugar de dar aulas, fazer propaganda ideológica longe da realidade, em lugar de ensinar o que o um profissional precisa saber, defender uma ideologia que não é atualizada desde o início da revolução industrial.  Professores que não lutam mais pela melhoria e autonomia da IFES, mas que lutam - entre aspas - contra a Alca, o FMI, a favor do Bolivarianismo e, muitas vezes, contra o avanço na Ciência que eles mesmos deveriam ensinar.
Alguns Reitores, Vice-Reitores, DCEs e Sindicatos de Professores e servidores até, em pleno século XXI, querem catalogar os Judeus e descendentes que estudam e trabalham numa universidade pública, a Universidade de Santa Maria - UFSM -RS.
Eu desisti já desse país do futuro, um futuro tenebroso. Só posso tentar fazer meu melhor para tentar sobreviver ao pior que esse país reserva para o seu povo.

maio 23, 2015

Sobre a política de pacificação e violência.

Não é segredo para ninguém o fracasso das políticas de Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas do Rio. Parte desse fracasso pode ser atribuído ao mal planejamento, a falta de treinamento de policiais para fazer trabalho mais próximo a uma população que sempre os viram como inimigo e a falha do Estado em avançar nos pontos sociais. Outra parte está no fato da própria população acobertar e defender os bandidos que ainda sobraram.
O único, se podemos chamar disso, sucesso das UPPs foi a diminuição dos desfiles de traficantes armados e a diminuição de confrontos pelo domínio de pontos de droga. Na prática o tráfico continuava de maneira discreta e com a segurança da PM. Essa segurança oficial gerou um desemprego nos bandidos (irônico, né?) que faziam a segurança e proteção das bocas-de-fumo. Não havia necessidade de soldados, a maioria menores, armados circulando nas áreas supostamente pacificadas.
Esses menores passaram, então, a circular fora das favelas fazendo pequenos - e grandes - assaltos e, como estavam acostumados a serem autoridades e exercerem autoridade com extrema violência, levaram essa violência para sua nova atividade econômica, para usar de eufemismo.
Está clara a ligação entre o aumento do número e da violência nos assaltos com o desemprego gerado pela "pacificação", ou vocês achavam mesmo que uma vez dispensados pelo tráfico esses trabalhadores iriam procurar emprego formal? Sério? Vocês achavam?
Isso posto, a legalização das drogas só vai ter um beneficiário: o usuário riquinho que não quer entrar na favela e conviver com pobres e bandidos para sustentar seu vício ilegal. A legalização, na melhor das hipóteses, vai trocar o criminoso de lugar, na pior, vai aumentar o número de vítimas, muitas delas fatais.
E tem gente que acha que é a proibição que gera o crime.

março 15, 2015

Protestos históricos de 15/03/2015

Por mais que o pessoal que monopoliza a consciência política queira ignorar, desmerecer e ofender, parece que existem muito mais "coxinhas" que eles esperavam. Parece que existem muito mais coxinhas que até os coxinhas esperavam.
Hoje, só em São Paulo, um milhão de pessoas (dados da PM paulistana) foram às ruas para mostrar sua insatisfação com o aumento das tarifas, combustíveis, volta da inflação, corrupção generalizada, incompetência, impunidade... os motivos são muitos, impossível listar.
Essa manifestação foi desacreditada antes de acontecer, foi taxada de golpista (como se pedir para cumprir um artigo da Constituição fosse golpe), foi dita que era de uma minoria (como se uma minoria não pudesse se manifestar, ou só algumas podem e outras não?), que era de "coxinhas", de classe média, de ricos e alienados. Foi ironizada, perseguida e ridicularizada, achou-se que fosse reunir apenas uma meia dúzia de gatos pingados.
O que está aí hoje é uma manifestação legítima, ordeira, de pessoas indignadas com a situação atual e com a previsão de piora dessa situação. Brancos, negros, pardos, pobres, classe média (sim, eles também têm o direito de protestar), todas as classes estavam lá. Sem bandeiras de partidos, sem sindicatos, sem uma organização central.
Você pode até não gostar deles, você pode até achar que as reivindicações são injustas, você pode até chamá-los de golpistas, você pode fazer e achar o que quiser, o que não pode mais é ignorar a crescente onda de insatisfação com o Governo que está aí. Você sabe que para cada um que estava na rua, outros três, quatro estavam em casa, mas apoiam as manifestações.
Esses são os fatos.
Sua vez de jogar, Dilma/PT.

fevereiro 02, 2015

A minha culpa é sempre do outro.

Só consigo achar engraçado essa geração autoafirmação que coloca a culpa nos outros por aquilo que não conseguem. É muito mimimi para eu levar a sério, impressiona.
Se a pessoa não consegue emagrecer, a sociedade que tem que mudar para aceitar o gordo como novo padrão de beleza (eu estou pré-obeso, posso falar). 
Se não consegue escrever certo, a língua que tem que mudar "porque é dinâmica e a comunicação é mais importantes que as regras e blablablá..." Polêmico. Sou a favor de quem é contra.
Se a mulher não consegue achar a mistura de Richard Gere, George Clooney, um personagem de José Mayer na novela e Bruce Wayne, são os homens que não estão preparados para aquele tipo de mulher. Não é ela que é chata, ou feia, ou os dois.
Aí ficam compartilhando textinho de autoafirmação que não quer dizer nada e apenas alimenta a megalomania de quem acha que o mundo deveria girar em torno de si. 
Parem!
Parem de tentar achar desculpas para as coisas que não são perfeitas na vida. Nada é 100% e a culpa não é dos outros. Em lugar de ficarem nesse mimimi irritante, melhor seria aceitarem, aceitarem a realidade. Ou mudarem o que não gosta e aceitarem a realidade. O Universo não vai mudar porque alguém acha que a culpa é sempre do outro.
Quer ser feliz, primeiro esqueça as receitas de felicidade dessas porcarias de autoajuda que vocês leem, aceitem seus desejos e parem de tentar ser felizes. Apenas sejam, é simples.


dezembro 09, 2014

Definições.

Uma das melhores definições que eu já ouvi sobre mim é que eu vivo em um castelo cercado por um fosso e muralhas, apenas com uma pequena ponte levadiça que raramente é abaixada. Não lembro quem foi e não sei porque isso me marcou, talvez porque seja verdade.
Algumas vezes faço imagens mentais das pessoas tentando se aproximar, rodando, rodando, se arriscando nas muralhas e caindo nos fossos. Algumas horas eu saio e fico fora, se me encherem eu volto e levando a ponte, deixando as pessoas do lado de fora.
Tem horas que fico na torre, olhando as pessoas tentarem entrar, baterem na porta, escalar as muralhas. É engraçado nos primeiros cinco minutos, depois acaba chato, barulhento, enchendo o saco. 
Vontade de afogar essas pessoas em um fosso.
Obs.: O castelo, mas muralhas e tudo o mais são apenas em sentido figurado.

outubro 29, 2014

Ser legal nos padrões de hoje.

Pode ser impressão minha, mas parece que hoje é mais importante a pessoa ter um rótulo de legal do que ser autêntica. Vejo pessoas que levam isso a sério demais, como têm vários grupos de amigos com gostos e exigências diferentes acaba sendo uma pessoa diferente em cada um deles e, com isso, acaba não sabendo mais quem realmente é.
Meus amigos mais antigos são os mais improváveis. Concordamos em muito poucas coisas, temos opiniões às vezes contrárias desde política a música, a futebol, mas nos tratamos com respeito e sem cobranças e, para nós fundamental, temos humor e não levamos zoeira nenhuma para o pessoal.
Cresci com essa ideia e isso me faz ir com cuidado quando me aproximo a um grupo novo, quando eu quero fazer parte desse grupo. Sei que a maioria hoje não entende, mas eu ainda escolho quem eu deixo ser meu amigo e o quanto a pessoa pode se aproximar. Claro, não sou amigo de todas as pessoas que gostaria, por algum motivo não pude aproximar, ou por não ter tido oportunidade ou porque eu teria que mudar para ser aceito.
Por outro lado, vejo pessoas que queriam até se aproximar mais, ou por curiosidade em saber como eu sou na realidade ou por afinidade mesmo, mas não é recíproca e, muitas vezes, mostro o meu lado mais insuportável apenas para mantê-los longe. É legal ver a raivinha que eles ficam.
Me divirto com e como eu faço a separação das pessoas dentro de um mesmo grupo entre as que podem estar e as que eu não quero perto. Faço pouco porque eu sei que isso pode gerar problemas para os outros e eu não gosto de causar discórdia sem querer.
Num mundo de gente com baixa autoestima que só quer passar a imagem e ouvir elogios que é legal, eu prefiro ser eu mesmo. Muita gente me acha legal, outras não. E uma maioria não está próximo para ter uma opinião precisa.
Mas como eu sei ser político eu tenho certeza que se eu quisesse ser aceito por algo que eu não sou, eu seria. Mas não acho que valha a pena.

setembro 13, 2014

E se...

Desde que nascemos somos lobotomizados a acreditar que Javé é bonzinho e o Diabo é ruim, é a causa de tudo de mau que acontece no mundo. Diz a lenda que Lúcifer (Anjo da Luz) era o primeiro entre os anjos, o que estava à direita de Deus até Ele criar os humanos com almas imortais. Anjos, se acredita, são imortais mas não têm almas. Com inveja, Lúcifer se rebelou contra A Divindade, foi expulso do céu e hoje quer se vingar do objeto de seu ciúme trazendo tudo de ruim para a Humanidade.
Os cristãos falam num suposto livre arbítrio, suposto porque se não fizermos o que Deus quer que façamos, como Ele quer e quando Ele manda teremos nossas almas condenadas ao inferno por toda a eternidade. Almas imortais.
E se...
Lúcifer, vendo isso, se rebelou não por inveja, mas por pena de toda uma espécie criada para ser escravizada pelos desejos de um Deus mimado? Tais como os anjos, a humanidade foi criada para subserviência e caso se rebelasse seria punida por toda a eternidade. Anjos podem morrer, como não têm almas, não podem ser condenados a danação eterna. E se o que achamos que é o responsável pelo mal estava tentando salvar toda uma raça? Por isso se rebelou, por isso nos concedeu o conhecimento entre o bem e o mal e, na verdade, o que chamamos de Inferno é um lugar para aqueles que se recusam a ter sua vida e destino influenciados pelo Onipresente vão para serem livres por toda a Eternidade?
Afinal, diante da Onisciência, já era sabido que a Humanidade iria cair e ser condenada, então para que deixar isso acontecer se não fosse para satisfazer A Vontade?
"Faça o que tu queres, pois há de ser tudo da Lei." 
Quero ser condenado por minhas escolhas, muitas delas erradas, eu sei. Mas ser condenado por ter escolhido outro caminho, não. Se isso acontecer o Livre Arbítrio não passa de uma enganação.