outubro 30, 2018

Pregando para convertidos.

Algumas vezes, não, a maioria do tempo é bem frustrante, é bem irritante e muito difícil manter meu posicionamento de não me afastar das pessoas por causa das opiniões. Vejo cada coisa que dá vontade de argumentar só para mostrar o erro de lógica entre causa e efeito, mas acho chato quando tentam fazer isso comigo com menos base, imagina eu chegar com conhecimento, referências e links. Deixo pra lá, com muito custo.
Por outro lado, sei que a maioria das pessoas não tem essa paciência e acaba silenciando perfis (sim, faço isso com gente sem base, argumentando com base num conhecimento feito por hashtags), percebo isso quando vejo argumentos fracos sem resposta.
Acabou que hoje acabam pregando para os convertidos, gente que "lacra" em busca de aprovação, não para convencer alguém, ou dar a oportunidade de aprender (não é concordar nem mudar de ideia!) um outro ponto de vista, um elo que está faltando. 
Como no post anterior, as bolhas vão ficando cada vez mais opacas e mais difícil de percebermos que estamos nelas. Sim, não me excluo desse efeito, é complicado sair.
As Cavernas de Platão hoje são virtuais.

setembro 19, 2018

Bolhas.

Sempre fiz questão de manter vários grupos de amizades, ou coleguismo. Grupos totalmente diferentes uns dos outros, não fiz isso de caso pensado, apenas aconteceu. E, no final, acho que isso foi bom para mim porque sempre tive acesso a várias correntes de pensamento e ao que levava as pessoas a pensarem daquele jeito.
Eu hoje respeito qualquer linha de pensamento, e se questiono o modo de pensar de alguém, não é para fazer a pessoa mudar de ideia (às vezes, confesso, é para plantar uma dúvida sim), mas para entender o porquê dela pensar daquele jeito. Faço isso até com quem tem opiniões próximas às minhas, os motivos tendem a ser diferentes.
Sempre é bom ressaltar que respeitar e entender como uma pessoa pensa não é pensar igual e muito menos aplicar aquilo na sua própria vida.
Mas hoje tá complicado.
O irônico é que o pessoal que se auto-rotula como mente aberta é o que mais exclui quem não segue o que eles decidiram como certo, ou melhor, o que decidiram por eles como sendo O Certo. Criou-se a imagem que o que não é concordância é ofensivo, é burrice, é mal caratismo, e não apenas a análise baseada em outra experiência e história de vida. Se fecham numa bolha de, como posso dizer isso sem ser vulgar... masturbação intelectual (não consegui amenizar, desculpem), se afastam do mundo real, onde existem n opiniões sobre o mesmo fato, onde a linha de certo e errado muda em uma gigante área cinza, variando de indivíduo para indivíduo.
Como eu nunca me vi dentro de uma dessa bolhas, me excluí e fui excluído reciprocamente, embora me force a acreditar que involuntariamente. Triste, porque são pessoas que eu gosto da companhia, admiro a inteligência e o humor. Vou sentir falta. Mas não consigo admirar a sanha deles de decidir como os outros têm que pensar e se comportar, não consigo admirar os duplos padrões, analisar os atos pelos atores, não pelas ações.
Quando o mundo se fechar em bolhas, eu vou ficar sozinho entre elas e contra elas, provavelmente.
Pelo menos eu gosto da minha companhia.

julho 26, 2018

O Não-Conhecimento como Questão de Honra.

Não vou dizer que é burrice, porque além de eu não suportar essa linha de argumentação onde quem não concorda com a gente é menos inteligente, eu vejo isso acontecer em algumas pessoas que eu considero que sejam muito inteligentes, muito mais que eu, também. Mas eu preciso aprender que nem todo mundo gosta de saber os fatos, de traçar um comparativo, dá trabalho. O penoso trabalho de pensar.
É bem mais fácil acreditar na primeira versão que apoie nossas convicções, porque, imagina só se aparece um fato novo e a gente tem que repensar nossas posições? Porque ouvir o lado oposto, ou até mesmo um ponto de vista diferente, mas não tão oposto assim? Não pode, a diminuta zona de conforto não pode ser perturbada, não vai ser expandida com dúvidas. O irônico é que as certezas sempre diminuem a zona de conforto.
Eu que estou errado em mostrar o porquê eu penso diferente na esperança que as pessoas farão a mínima força para entender o que eu falei. Entender, apenas. Não espero que concordem, e acho que nem quero. Mas ainda me surpreendo com as reações. Eu sou o insuportável em mostrar que existe mais de um jeito de ver o mundo, eu sou o insuportável em mostrar que discursos histéricos e correntes de Whatsapp e qualquer coisa que apele ao emocional está invariavelmente errado. Sou o mané por mostrar uma lógica além do óbvio, por mostrar fatos omitidos para uma narrativa falaciosa fazer sentido.
Sim, eu sou o errado.
Não pelo descrito acima. Eu sou o errado por achar que as pessoas tem algum apreço pela verdade, por saber tudo sobre um assunto antes de estabelecer um ponto. Eu sou o errado por querer iluminar as trevas do senso comum.
Eu tenho que aprender a conviver com o fato que nem todo mundo gosta de conhecimento. Pelo menos eu não preciso aprender a conviver com essas pessoas.

maio 27, 2018

Fanatismo e isolacionismo.

Nem vou falar da greve dos caminhoneiros (maio de 2018) porque é um evento pontual e transitório e eu prefiro escrever sobre assuntos mais atemporais. Mas a greve que literalmente paralisou o Brasil, com desabastecimento severo de combustíveis e ameaça de desabastecimento de alimentos, e sua consequente discussão de causa, efeitos e responsabilidade em redes socais me deu o mote para escrever sobre algo que eu tenho visto e comentado em partes há muito tempo: a radicalização das opiniões.
Hoje a maioria das pessoas não se importa mais com o fato ou o discurso para julgar se certo ou errado, se importam apenas com quem disse ou fez algo para apoiar, um fanatismo que faz um lado estar 100% certo e outro 100% errado. É mais fácil, não precisa pensar. E, sabemos historicamente, que seguidores sem critério formam líderes sem fracos e idiotas. Darwin explica.
Não é difícil, acreditem, julgar uma ação ou discurso por ele, não pelo seu autor. Não é difícil, acreditem, olhar os argumentos do outro lado para ver se algo lá faz sentido para você, se pode ser aproveitado para melhor ou seu argumento, ideia ou prática. O que é difícil e sair dessa inércia de pensamento para tomar as próprias decisões, ter a própria opinião.
Com essa polarização todos perdemos, quando um lado se isola nele mesmo, ignora qualquer crítica ou tentativa de melhora, quando se ignora seus próprios erros estão se condenando a diminuírem de relevância e repetir os erros com um orgulho bobo e injustificável. O melhoramento tem que ser constante, e não se consegue isso apenas olhando de dentro, ninguém se aprimora com concordância cega.
Enquanto nossos líderes e, antes dele, nós mesmo, o tal do "povo" não entendermos que um lado precisa do lado contrário para ficar melhor, para se aprimorar vamos continuar nessa guerra de egos onde não há vencedores, só vencidos.

janeiro 04, 2018

Leitura difícil.

Ainda estou no início, ainda não li dez porcento da obra, mas estou a cada página, a cada parágrafo mais fascinado pelo livro O Arquipélago Gulag. Um livro infelizmente desconhecido do grande público brasileiro, mas por ouvir insistentemente no podcast do Senso Incomum referências a ele, tive a curiosidade despertada, pedi e ganhei como presente de Natal (obrigado, sra. Rocha).
Está sendo uma leitura muito difícil, tanto pela tradução (uma mistura de Português do Brasil, com Português de Portugal, como nomes traduzidos que dificultam a localização e reconhecimento dos personagens reais), quanto pela tristeza, angústia, medo e, principalmente, resignação com que foi escrito. Em linguagem técnica e monótona, como um relatório de produtividade, a história que conhecemos por alto é contada em detalhes por quem a presenciou. Aquelas coisas que parecem filmes de espionagem, mas que sabemos e tentamos ignorar, contadas como aconteceram e na quantidade que aconteceram choca mais por um relato propositalmente desprovido de emoção.
É um livro duro para quem gosta e conhece um mínimo de História, é uma leitura que eu, que gosto de ler, estou tendo uma baita dificuldade porque me esgota emocionalmente. Me deixa triste e revoltado. Me deixa temeroso porque ainda tem gente que defende que isso aconteça de novo, gente que eu conheço e que até está no meu grupo de amizades, apesar disso tudo.
Não posso dizer que recomendo o livro, mas gostaria que todos lessem para aprender um pouco mais do que querem esconder da gente, queria que todos soubessem que milhões de pessoas não podem ser resumidas a uma nota de rodapé de um livro de Ensino Fundamental.
Vai ser um livro que eu vou penar, mas tenho certeza que lerei mais de uma vez e corre o risco de substituir 1984 como meu livro preferido. Vivemos num mundo Orwelliano e  Kafkaniano e isso não é nada legal.

outubro 17, 2017

A Burguesia está acabando com a Barra

"A burguesia tá acabando com a Barra"
(Impressão minha ou o playboy mor do rocquenrou tá reclamando do pessoal que melhorou um pouco e tá indo morar no seu paraíso particular?)
"A burguesia é a direita, é a guerra"

"Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo"
(Gulag só pros outros, né? Típico...)

"Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês"
(Considerando o burguês que ele foi...)

"Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares"
(Ele vê novela, quem diria. Que coisa burguesa...)

"O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal"
(Não entendi, o povo é o cara que te enforca no sinal ou é o cara que vive como bicho? Isso que essa galera vê como "povo"?)

O pior é essa letra retratar como esse pessoal "antiburguês de iPhone" vê quem não é um deles naquela época e hoje. E tem gente que acha ele um pusta dum poeta (tem umas letras legais, mas "segredos de um liquidificador" envergonharia até o Vercilo).
Triste um país que meia dúzia de palavras de ordem em uma música valem mais que o que diz e como é a letra toda.

outubro 07, 2017

Resiliência, mimimismo e outras inutilidades.

Formaram uma geração de fracos. De gente que desiste antes de tentar, que implora facilidade me lugar de se preparar, de gente que acha que postar charlatanismo de frases e palavras de autoajuda, como resiliência e outra inutilidades do tipo, vai realmente surtir algum efeito.
Que continuem assim, sempre e conscientemente piorando a própria vida por absoluta falta de esforço. Passe essa ideia para as próximas gerações, sempre acharão alguém para culpar.
Alguém que não liga a mínima para o seu choro, alguém que consegue os resultados que você inveja porque o tempo que você se lamenta está realmente fazendo algo útil por si mesmo. Alguém que ri e vai, com certeza, dificultar mais a cada choro que ouvir só por diversão. Continue assim, logo você vai encontrar o seu próprio grupo de infelizes para chorar os fracassos na vida acadêmica, profissional, pessoal e amorosa juntos, e sempre pelo mesmo motivo. 
O mais triste de tudo é ver gente que sabe como o mundo funciona e tem como dever juramentado preparar as pessoas para enfrentar a realidade incentivando esse tipo de comportamento. Às vezes eu me sinto muito sozinho tentando preparar os outros para terem sucesso e serem felizes na vida. Já desisti de quem prefere chorar a tentar, estou quase desistindo também daqueles que tem força suficiente e querem realmente ajuda para fazerem da sua vida mais que eles têm hoje.
Parabéns aos envolvidos.

fevereiro 13, 2017

Antes tarde...

Nunca fui fã daquela coisa de "há males que vêm para bem", mas às vezes acontece.
Sempre fui relapso às escolhas importantes sobre minha vida, sempre optei pelo caminho mais fácil, mesmo quando era aquele que não me levava onde queria. Não falo isso com arrependimento, apenas com resignação. Mesmo deixando "o Destino" escolher por mim, posso dizer que cheguei mais longe que imaginei chegar e estou confortavelmente bem na vida.
O problema é que agora o tal do Destino resolveu cobrar pelas escolhas que não fiz, me obrigando a não adiar mais controlar as mudanças na minha vida.
Anos atrás tive um ganho financeiro e profissional que me deixou bem, me deixou feliz e com um sentimento de realização profissional que nunca havia experimentado, mesmo sendo considerado um profissional melhor que eu faço por merecer. O problema é que essa situação se reverteu, somado a isso políticas dentro do meu ramo que além de eu não concordar por achar que não vai dar certo, por ser contra o que eu sempre defendi em termos de Educação, ainda vai complicar muito minha vida. Vou ter que diminuir ainda mais o nível do meu trabalho e, mesmo trabalhando menos, levando "nas coxas", é algo que me deixa frustrado como profissional. Gosto, apesar de tudo, que o meu trabalho seja o melhor que eu posso fazer, o melhor que as condições me permitem fazer. E, ao analisar essas mudanças, me desanimou muito em relação ao que eu estou fazendo.
Ao mesmo tempo, em uma conversa surgiu uma ideia. Ou ressurgiu. Algo que eu sempre recomendei aos outros fazer e eu mesmo não fazia por estar na pior das acomodações. Agora estou ansioso para começar a andar em outra direção, mudar tudo completamente, começar do zero se preciso for.
Demorei muito tempo para fazer isso, me agarrando a coisas efêmeras, passageiras, mascarando insatisfação com reconhecimento. Chega.
O Destino está cobrando as decisões que tomou por mim da maneira que ele sabe cobrar, me obrigando direcionar a vida eu mesmo, a escolher a direção que eu quero mudar ou apenas me manter parado num falso conforto e ficando cada vez mais insatisfeito.
Desafio aceito, plano elaborado, agora é só colocar em prática.

agosto 09, 2016

Apesar das Dificuldades

Só no Brasil as pessoas ainda se impressionam com alguém vindo das classes mais baixas chegar a um pódio Olímpico, chegar ao estrelato em um esporte. Tirando o futebol, os atletas bem sucedidos no futebol, que são muito poucos em relação ao numero de profissionais, a enorme maioria dos atletas que se destacam em outros esportas, muitas vezes, tem uma melhora muito baixa na vida.
Isso diz mais sobre o Brasil que sobre o Esporte ou esses esportistas.
Em qualquer país civilizado há programas já na base da Educação que incentiva a prática de esportes para o desenvolvimento físico, mental e social da criança, depois adolescente para chegar a um adulto saudável nesses três eixos. Aqui não. Aqui a criança que gosta de esportes e se destaca neles, via de regra, tem que decidir entre a educação acadêmica e a esportiva e, por falta de perspectivas e oportunidades, opta por esse último, que é uma opção de alto risco.
Uma vez abandonado o estudo para se dedicar à prática esportiva, é um tempo perdido que não é mais recuperado, não dando certo, esse cidadão está há anos atrás de outros da sua geração.
Na maioria dos países, os civilizados, os campeões, o esporte é praticado junto e para, através de bolsas atléticas, levar a pessoa mais longe nos estudos, aqui separa dos estudos.
Por isso ao ver um campeão vindo da pobreza, saiba que ele está lá apesar da pobreza, apesar da dificuldade, não por causa dela, o que torna seu feito muito mais impressionante.
Enquanto as políticas públicas antagonizarem Educação Acadêmica com Esportiva seremos lanterninhas nas duas competições.

agosto 05, 2016

Olimpíadas da Vergonha Alheia

Sempre fui contra o Brasil sediar os Jogos Olímpicos, mesmo sendo um dos únicos que foram contra a euforia à época do anúncio do Rio como Cidade Sede e, por isso, me sinto bem a vontade para criticar esses jogos.
Mas como tudo na vida, menos CD de pagofunk, tem um lado bom: agora o Rio de Janeiro vai ser mostrado em sua totalidade, não só aquela camada litorânea/Lapa maquiada para turista, as vias expressas BRT e a Supervia cortarão favelas, sem maquiagens, com vista total da realidade para turista. Início dos jogos com a Cidade suja, violenta, em crise (o país todo está), obras inacabadas ou acabadas na maquiagem, no jeitinho. Isso pode dar um choque de realidade na nossa imagem e a gente começar a buscar o glamour perdido. O primeiro passo não é reconhecer o problema?
Mas hoje tudo é festa, é a abertura. Se a cerimônia já é brega quando é só festa e apresentação do país, tenho medo da cafonice que vai ser a nossa com toda uma "mensagem politizada" permeando as coreografias. Se na Copa que não teve nada disso já foi o que foi...
Mas tem todo aquele complexo "intelectual Tupiniquin" que nada pode ser apenas divertido que é alienante, toda forma de "arte" tem que fazer pensar, refletir. Sério. Em 2016 isso e os intelectuais da arte não verem que isso é feio, tosco?
É só comparar o cinema engajado dos anos 80 e o sucesso dos filmes dos Trapalhões na mesma época. Diversão é diversão, pode ter mensagem?, pode, mas não é algo que tenha que ser obrigatório ou maçante.
Colocaram um "cineasta" (todos os países têm diretores de cinema, no Brasil temos cineastas, a industria do cinema ta aí para mostrar os resultados) engajado em conseguir verbas públicas para fracassos comerciais (fez trocentos filmes, estourou com dois) para bolar a cerimônia. Aposto que vai ser vergonhosa.
A Olimpíada é no Rio, com abertura no Maracanã. Nada me tira na cabeça que a abertura seria muito mais legal se fosse organizadas por uma comissão de carnavalescos responsáveis pelos desfiles da Escolas de Samba. Seria muito mais espontâneo, muito mais Brasil, muito mias povão!
Escrevo isso uma hora antes do início da cafonice e, sinceramente, espero estar errado.
Fora isso, divirta-se vendo os jogos, ou vá ao cinema se não gosta de esportes. Os problemas que estavam aí até julho vão estar te esperando em setembro, não se preocupe, quando os Jogos acabarem, você vai poder a se indignar e fazer exatamente a mesma coisa para melhorar que está fazendo agora.

maio 10, 2016

Limite.

Estou no meu limite há muito tempo. Tentando resolver um problema antes de surgirem mais outros dois, problema dos outros e postergando resolver os meus, a cuidar de mim.
Tenho um sinal atrás do outro que a coisa não está bem, mas tenho que seguir, preciso, não tem outro. Não tenho como pausar, não tenho como adiar algumas coisas para olhar para meus problemas que se acumulam, que pioram. Não falo para ninguém, não deixo, não quero que ninguém se preocupe. Estou ficando bom em fingir, às vezes até eu acredito, me forço a acreditar pelo maior tempo possível, até algo me trazer de volta à realidade.
Hoje, surpreendentemente, uma pessoa que me conhece pouco e há pouco tempo me falou que eu passo a impressão de paz, de que resolvo problemas. Vai ser mais um que vai querer que eu resolva, que aconselhe, que me estresse sobre o problema dos outros. Achei engraçado, como sempre acho, pessoas achando o máximo a solução que eu acho mais lógica, prática e óbvia para uma coisa. Deve ser por isso, o fato descomplicante.
Por outro lado, tive um sinal inequívoco que algo que já sabia que não ia bem, está mal, está a ponto de ruptura, e não há nada que eu possa fazer.
Sempre critiquei gente que prefere a ignorância a enfrentar e resolver as coisas, estou fazendo exatamente a mesma coisa. Já que não posso parar para resolver, melhor nem sem saber a extensão do dano, para me preocupar menos.
Ajuda a fingir felicidade e paz, como vocês me enxergam.

abril 16, 2016

Nada para ninguém comemorar domingo.

Amanhã, domingo, haverá a tão aguardada votação pela continuidade ou não do processo de Impeachment da presidente Dilma Rousseff. Independente do lado que você apoie, independente do resultado amanhã, não há nada a ser comemorado.
Não a nada a comemorar porque é impossível não sentir vergonha de um Governo atolado até o nariz em irregularidades que lavaram a esse processo.
Não a nada a comemorar porque é vergonhoso a compra de deputados usando cargos em Estatais, Autarquias e Ministérios.
Não a nada a comemorar porque tem muitos deputados votando de acordo com interesses nesses cargos, não baseados na sua ideologia ou opinião sobre o processo. E foi essa ideologia que os levaram a conseguir votos para o cargo de deputado, teoricamente.
Não a nada a comemorar porque, se aprovado, o processo será enviado ao Senado e a presidente afastada por até seis meses até a votação final. Mais seis meses de incerteza.
Não a nada a comemorar porque se recusado, continuaremos com uma presidente sem poder efetivo, com pouca representatividade na câmara e, para fazer qualquer coisa, precisará comprar deputados com dinheiro público. Uma vergonha para compradores e comprados.
Não a nada a comemorar porque foi esse governo que nos levou a essa situação. 2016 nos faz ter saudades de 2015. 2017 nos fará ter saudades de 2016.
Não a nada a comemorar porque caso entre um governo novo, a princípio terá apenas seis meses para fazer alguma coisa, enfrentando a sombra da falta de legitimidade e um Estado completamente aparelhado, inchado e com excesso de burocratas indicados a altos cargos por interesses apenas políticos, e não técnicos.
Não a nada a comemorar porque caso o processo seja arquivado, outros surgirão e o País ficará nessa inércia até 2018.
Não a nada a comemorar porque caso o processo passe, os militantes, movidos mais pela emoção que pela razão, farão de tudo para que o Governo novo não trabalhe, inclusive contra os interesses do País.
Não a nada a comemorar porque essa presidente eleita não governa mais, ou afastada por causa de crimes fiscais cometidos ou, pior, afastada por um aliado que já está, "de facto", governando sem legitimidade alguma, na qualidade de Ministro com posse suspensa e investigado por esquemas, no plural, de todo tipo de corrupção que pode ser tipificado.
Não a nada a comemorar porque segunda-feira, e por muitas segundas-feiras ainda, viveremos normalmente no meio de uma crise política, econômica e de valores, em todos os níveis, sem perspectiva de melhoras.
Não a nada a comemorar porque segunda feira vamos trabalhar com a mesma desesperança, porque nada mudará de forma rápida. E se mudar, é pouco provável que seja para melhor.
Seja qual for o resultado amanhã, não há um único motivo para comemoração, visto que o Brasil continuará sendo resgado em um cabo de guerra pelo poder, no meio de um túnel onde não dá para ver a luz em seu final.

abril 06, 2016

Pedalando e Andando.

Deixou de funcionar mais ou menos assim: Nos últimos 15 anos o país teve um crescimento de consumo, sem crescimento de produção, anabolizado artificialmente por uma política de crédito fácil e renúncia fiscal. Uma bolha. Quando as pessoas viram que as prestações estavam estrangulando o orçamento mensal (vulgo salário) pararam de consumir.
Enquanto havia consumo, mesmo com a renúncia fiscal (quantas reduções de IPI passamos?) havia arrecadação e dinheiro para manter os programas sociais que o atual Governo usa como propaganda. Volto a isso. Quando o consumo começou a cair a arrecadação desabou junto. 
Mas era ano de eleição.
Voltando aos programas Sociais, o Governo atual os usa como principal carro chefe do que ele fez, ou deixou de fazer. Ao meu ver, um país que aumenta o número de pessoas que precisam de programas sociais não está num rumo bom, mas... é questão de opinião. Retomando o pensamento, em ano de eleição, os programas sociais deveriam parecer sólidos, ou a única bandeira do governo iria por água abaixo.
Com a corrupção generalizada má administração do atual Governo, que levou o país a uma recessão e consequente diminuição de arrecadação (repito porque é importante) o Governo usa o dinheiro dos bancos públicos, como uma espécie de cheque especial, para manter sua propaganda. Isso é proibido por lei. E nem paga juros aos bancos.

A Lei diz que caso haja necessidade de captação de recursos por empréstimos, em bancos privados, pagando os juros de mercado.
Mas o pior foi maquiar os balanços anuais para que o rombo nas contas públicas parecessem normais. E isso, em qualquer parte do mundo civilizado, é ilegal.
Se uma empresa adultera os Livros Caixa para que passivos sejam vistos como ativos, ela é penalizada e seus contadores e diretores presos. Se é um Governo, os responsáveis têm que ser destituídos. Simples assim. Não é político, é jurídico. É ético.
Mas, lembremos, estamos no Brasil.
E foi assim que as coisas deram errado.

fevereiro 13, 2016

De volta ao equilíbrio

Me surpreendo hoje, e é uma surpresa até feliz, ver adolescentes se identificando e defendendo os ideais defendidos pela ala mais liberal da direita, a saber: Estado menor, punição mais severa para criminosos, melhoria na qualidade de vida pela melhora real da Educação pública e pelo aumento de oportunidades em contraponto ao sistema de cotas.
(Um parênteses: me assusto com gente muito nova idolatrando oportunistas radicais como Bolsonaro, por exemplo.)
Continuando.
Durante anos os jovens o eram alheios, alienados de verdade, ou eram de "Esquerda", muitas vezes iludidos pelo paraíso pintado por professores sem ética que davam suas opiniões como se fossem verdades científicas* e pintavam o Socialismo como solução desde a desigualdade social até espinhas na adolescência. Enfim. Com o aumento da informação e o descolamento do Conservadorismo do período de Governo Militar essa hegemonia tende a cair, o que é bom. É sempre bom ter equilíbrio e contraponto de opiniões, é a única maneira dos lados tentarem melhorar, o que todos ganham.
Ah... mas a teoria de Mercado já fala disso há tempos..
Enfim, seguimos.
É um processo lento, esses jovens ainda vão demorar a ter voz relevante e conhecimento suficiente para defender o que pensam. Mas a indignação com a corrupção como forma de Plano de Governo, a intolerância com a incompetência do Estado, a busca pelo melhor caminho já passou da fase de semente, já estão quase florescendo e isso é bom para a sociedade como um todo.
Acredito que em uma ou duas gerações, no máximo, termos como "neoliberalismo" e "privataria" sejam visto apenas como piadas. Fico só triste porque quando chegar nesse ponto, se chegar, eu vou estar velho e vou usufruir pouco. Mas pelo menos posso ver hoje uma chance de uma mudança, difícil, para melhor.

*Obs.: Sim, quando me perguntam não fujo e opino sobre qualquer assunto e explico o porquê daquela opinião. A diferença dos doutrinadores é que eu deixo claro que é uma opinião, não uma verdade, e aconselho a procurarem ouvir quem pensa o oposto, para que eles tenham a opinião deles vendo todos os lados quanto possíveis.

setembro 29, 2015

Água em Marte e a arrogância humana.

Hoje é um dia histórico para a ciência e fãs de SciFi. Pela primeira vez na História a maior agência de pesquisas espaciais admitiu a existência de água líquida e corrente no nosso vizinho mais próximo, Marte. Isso significa que pode haver ou ter havido vida em marte. Vida microbiana, não homenzinhos verdes, quero deixar claro.
É importante e igualmente arrogante essa comparação.
Durante muitos anos a pesquisa sobre outros planetas foi motivo de piada nos meios acadêmicos. Está provado que há possibilidade de um número incontável de planetas, muitos deles parecidos com a terra. A possibilidade da panspermia que hoje ganha força, já foi chacota. Vida inteligente, saiu dos livros e é estatisticamente possível, e não estou falando do History Channel e seus Alienígenas do Passado.
A arrogância, mencionada no título vem do fato que a procura de vida está intrinsecamente ligada à procura de água. Quimicamente, em temperatura adequada, há vários líquidos com propriedades próximas a da água, que teriam a mesma função. Na Terra mesmo já conhecemos bactérias que metabolizam enxofre em lugar de oxigênio. Mas, mesmo assim, procuramos vida baseada na nossa, nas condições únicas do nosso planeta.
Quantos planetas com as condições de Vênus, ou Saturno, ou Netuno com metano, que é orgânico, líquido existem? Todos eles foram ignorados. E se há algum tipo de vida lá, não estamos interessados porque não se parecem com a nossa.
Mas não.. vida só se for em meio aquoso ou carbono. Sei que uma busca dessa magnitude precisa de certos parâmetros, mas parâmetros demais excluem possibilidades incontáveis. Isso deveria ser inaceitável pra a Ciência.

junho 12, 2015

Ecoando a censura.

"Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel" _Umberto Eco.
Não vou entrar no mérito de discutir quem ele é ou atacar suas obras, que são brilhantes, mas essa declaração... e, o pior, um monte desses imbecis que hoje têm voz estão ecoando suas palavras como se não fosse eles os imbecis.
Essa frase desse "intelequitual" é perigosa, apoiá-la mais ainda , é apontar uma arma carregada para têmpora. Eu não entendo como um escritor, que acaba de ser laureado por conta de comunicação (vejam só) e cultura (vejam vocês) defende censura.
Sim, censura.
A "legião de imbecis" que hoje têm voz na Internet somos nós. Nós que temos opiniões fortes e, muitas vezes, não aprovadas pela "coletividade". São as pessoas que pensam individualmente, que tentam acertar e errar, que não têm, não querem ter, e não aceitam a receita para um mundo feliz e perfeito. Antes da Internet, só "intlequituais" eram ouvidos, todas as opiniões relevantes eram iguais e as vozes dissonantes eram ouvidas apenas em "bares após um ou duas taças de vinho" (repare como ele diz que quem pensa diferente é um bêbado e, portanto, não deve ser ouvido/levado a sério).
O problema para Eco, e para essas pessoas que julgavam ter o monopólio da Lanterna que Guia o Mundo, o desespero deles, é que esse bêbados de bar hoje tem Twitters, Blogs, Grupos e Fóruns de Discussões onde suas ideias são ouvidas, onde pessoas que não pensam segundo a cartilha se encontram, se organizam em torno de ideias que têm em comum. Para uma pessoa que têm alergia a ideias dissonantes, sim, são um bando de imbecis que ousam ter voz tão alta quando te premiados com o Nobel. 
Observação: Não vi nenhum cientista reclamando do acesso do cidadão Homer Simpson (Copyright Willian Bonner) à informação e ao direito a voz, só vencedores de Nobel menores, subjetivos, tipo um Prêmio Jabuti internacional. Ganhadores de Nobel que na prática nada acresceram para a humanidade reclamam, como Umberto Eco reclama.
Nós, os imbecis, que hoje somos ouvidos, ainda que imbecis, temos o direito de falar, de sermos ouvidos e de sermos seguidos por outros imbecis. Já se foi o tempo que "a mas um intelequitual disse que..." era um argumento incontestável, hoje há acesso em tempo real a fatos para ser usados como base para opiniões.
E, senhor Humberto Eco, com fatos, mesmo os imbecis têm razão.

Em tempo, chamo a atenção para o termo "direito à palavra". O voto pode ser universal, mas para ele, a Palavra é só para alguns.