fevereiro 11, 2008

Microcosmos.

A Lapa, tradiconal bairro do boêmio do Rio passou décadas equecida por causa do abandono e da violência no Centro da Cidade, principalmente a noite. Na década passada foi redescoberta e rebatizada como point dos new boêmios, ou seja, virou um bairro da moda.
As maiores vantagens de lá são a localização (Centro) e a variedade de programas. Num mesmo quarterão existem opções que variam do forró ao rock and roll, passando por samba, pagode e o infelizmente onipresente funk. Embora lugares diferentes sejam naturalmente freqüentado por pessoas diferentes, na Lapa parece não haver atrito entre essa diferentes tribos, termo, aliás, que eu não suporto, mas na falta de outro melhor...
Na praça dos Arcos pode se ver uma barraca de bebidas tocando música eletrônica de um lado enquanto se ouve funk do carro de algum playboy do outro. E há respeito pelo espaço alheio. Funkeiros e alternativos e clubbers muitas vezes estão na mesma rodinha jogando papo fora. Um exemplo de tolerância a ser seguido.
Agora se saírmos de lá e formos para qualquer bairro de subúrbio perdemos esse ambiente de respeito. Se alguém para com o carro ouvindo, por exemplo, um Legião Urbana chega um mané com um som - que normalmente tem volume alto e baixa qualidade - ouvindo funk só para dizer que o som dele é mais alto. Se tem alguém ouvindo um REM e se balançando ao ritmo da música, uns manés ficam apontando e rindo, como se não fosse igual estar se rebolando ao som do Créu. Triste.
Me pergunto o que faz da Lapa um lugar onde as diferenças são respeitadas se prá lá vão exatamente as pessoas dos mesmos bairros onde há essa intolerância, muitas vezes são as mesmas pessoas.

2 Comments:

At 1:08 PM, fevereiro 27, 2008, Blogger Andrea said...

amo muito.

 
At 9:19 AM, fevereiro 29, 2008, Blogger NOISE said...

Muito bons, todos os textos. Mas esse, da Lapa, especialmente... tem lugares que o senso comum nos ensina a freqüentar.
Esses níveis altíssimos de tolerância são difíceis de encontrar.
Era assim na antiga Geral do Maracanã e creio que ainda seja assim entre os comerciantes da Rua da Alfândega... o muçulmano convida o judeu pra ser padrinho de seus filhos no catolicismo e, junto com o budista, costumam dar o ra de suas graças em algum terreiro, às sextas-feiras.
Tem coisas que só acontecem no Brasil.

 

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