agosto 06, 2008

Fantasmas.

Existem algumas coisas que escondemos tão fundo que esquecemos delas, que parece que foram apagadas, como se nunca tivessem existido. Certas sensações desconfortáveis que prometemos nunca mais ter e, por não tê-las há muito tempo, esquecemos da promessa e baixamos a guarda.
Isso é imperdoavel e o castigo aparece sem demora.
Primeiro passamos por algo leve, um encontro, uma lembrança ou até uma brincadeira de gosto duvidoso. Passa despercebida, não desperta nada de ruim. Esquecemos uma vez mais de nós mesmos, do que escondemos e que nos machuca.
De repente vem o golpe. Único. Certeiro. Mortal. Tudo aquilo que estava esquecido, apagado como se nunca tivesse existido volta de uma vez só, a incredulidade ou a credulidade, o saber o que fazer e o não querer fazer, a pergunta certa e o medo da sinceridade da resposta. As dúvidas e indecisões. O olhar para frente e não ver caminho nenhum. E saber que tem a fazer uma escolha definitiva, uma aposta única, ou tudo ou nada.
Uma vez resolvido e superado, enterramos e esquecemos. Aí, um dia, volta uma vez mais, sempre mais forte, sempre quando menos esperamos. Um ciclo doentio e initerrupto, mais cedo ou mais tarde estamos sempre no mesmo lugar.
Nunca aprenderemos.

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