outubro 02, 2024

Pequenas coisas.

Depois de não sei quantos anos, talvez mais de vinte, não tem um animal dentro dessa casa a noite. Todas as poltronas vazias, a cama desocupada, nenhuma bolinha de pelo deitada no meio do caminho pedindo atenção ou comida.

Nada.

Como uma coisa tão pequena, que muitas vezes se escondiam até do nosso canto olho faz falta. Olho para os lugares que eles costumavam ficar e minha memória sobrepõe a imagem que vejo com a que me acostumei a ver e hoje entendo como era necessário eles estarem ali. Como olhar para o bichinho dormindo, desviar meu caminho para fazer um carinho, às vezes literalmente um, aliviava toda a carga de um dia ruim, de um fase difícil.

Hoje estou no vazio, sem ter para onde olhar, sem ter porque desviar o caminho. Apenas o vazio. A TV não consegue fazer companhia, o mundo lá fora não parece ter atrativos.

Mas é assim que vai ser, melhor acostumar.