maio 23, 2015

Sobre a política de pacificação e violência.

Não é segredo para ninguém o fracasso das políticas de Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas do Rio. Parte desse fracasso pode ser atribuído ao mal planejamento, a falta de treinamento de policiais para fazer trabalho mais próximo a uma população que sempre os viram como inimigo e a falha do Estado em avançar nos pontos sociais. Outra parte está no fato da própria população acobertar e defender os bandidos que ainda sobraram.
O único, se podemos chamar disso, sucesso das UPPs foi a diminuição dos desfiles de traficantes armados e a diminuição de confrontos pelo domínio de pontos de droga. Na prática o tráfico continuava de maneira discreta e com a segurança da PM. Essa segurança oficial gerou um desemprego nos bandidos (irônico, né?) que faziam a segurança e proteção das bocas-de-fumo. Não havia necessidade de soldados, a maioria menores, armados circulando nas áreas supostamente pacificadas.
Esses menores passaram, então, a circular fora das favelas fazendo pequenos - e grandes - assaltos e, como estavam acostumados a serem autoridades e exercerem autoridade com extrema violência, levaram essa violência para sua nova atividade econômica, para usar de eufemismo.
Está clara a ligação entre o aumento do número e da violência nos assaltos com o desemprego gerado pela "pacificação", ou vocês achavam mesmo que uma vez dispensados pelo tráfico esses trabalhadores iriam procurar emprego formal? Sério? Vocês achavam?
Isso posto, a legalização das drogas só vai ter um beneficiário: o usuário riquinho que não quer entrar na favela e conviver com pobres e bandidos para sustentar seu vício ilegal. A legalização, na melhor das hipóteses, vai trocar o criminoso de lugar, na pior, vai aumentar o número de vítimas, muitas delas fatais.
E tem gente que acha que é a proibição que gera o crime.

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